Contos

Conto de dia das mães!

O dia está nublado com uma garoa bem fininha, um vento gelado. São 9 horas da manhã. Toca o despertador e Rogério acorda. Hoje é dia das mães, ele planejou um dia especial, vai levar a sua amada mãe para almoçar em um belo restaurante em um dos bairros chiques da cidade. Acordou cedo para poder fazer tudo com calma, sem ficar se preocupando com o horário.

Levanta, escova os dentes, toma seu café enquanto dá uma olhada nas redes sociais. Quando acaba, vai tomar um banho e se arrumar. Quer sair de casa no máximo até as 11 horas. Como é feriado, todos os restaurantes estarão lotados.

Depois de pronto, Rogério entra em seu carro e sai em direção à casa de sua mãe. Para chegar até lá, tem que passar por uma pequena estradinha, em que dos lados tem apenas mato, e em uma parte, há um barranco com uma árvore. A estrada estava com bastante movimento, nunca viu aquele lugar assim com tanto carro. Por esse motivo, tinha que andar em uma velocidade bem reduzida, para não ocorrer nenhum acidente.

A garoa já havia parado. Ele andava com as janelas abertas, apesar do pouco frio que fazia. Mas com o trânsito que estava se formando, se sentia sufocado se ficasse com tudo fechado.

Ao longe, ele ouvia um miado. Primeiro pensou que pudesse ser um gatinho e que viesse de algum carro ali perto. Quanto mais andava, mais alto aquele miado ficava. Ele passou a prestar atenção no som e percebeu que vinha do pequeno barranco. Como a estrada estava parada, ele olhou em direção ao barranco e viu que tinha um pequeno gatinho preso em uma árvore.

–  Meu Deus, coitado. Como será que ele foi parar ali? – pensou.

Olhou em volta, e ninguém parecia dar atenção ao gatinho, ninguém o viu ali. Ele então decidiu desligar seu carro e, saiu para tentar ajudá-lo. Enquanto saía do carro, só ouvia as pessoas falando:

– Aonde esse louco vai? – disse alguém.

– Deve estar bêbado, não sabe o que está fazendo. Não é possível. – dizia outro.

Mas ele não se importou, e continuou. Desceu o barranco que estava todo molhado por conta da chuva. Não tinha onde se segurar, então ele teve que ir se equilibrando. Até que conseguiu chegar na árvore. Subiu em um pedaço do tronco, para conseguir alcançar o galho em que o gatinho estava. Pegou o coitadinho, que estava todo molhado e tremendo. Era apenas um filhotinho, ou parecia ser pelo seu tamanho.

Enquanto voltava, viu que algumas pessoas estavam o observando. Umas com cara de “que cara sem noção”, outras com o ar de curiosidade. Um rapaz que estava ali, ofereceu ajuda para Rogério conseguir subir o barranco de volta. Não era muito grande, mas como estava molhado e ele estava com o bichinho no colo, aceitou a ajuda. Agradeceu e foi para seu carro. O moço que ajudou começou a bater palmas, e depois varias outras pessoas o seguiram. Rogério o agradeceu de novo e continuou seu trajeto a caminho da casa de sua mãe, agora com a companhia do pequeno bichano.

Estava todo sujo de terra, mas nem se tocou. Chegando na casa de sua mãe, ela olha para ele e diz:

– Rogério, querido! Onde você esteve? Porque está todo sujo desse jeito, meu filho?

– Nossa mãe, nem reparei. Perdão! É que aconteceu uma coisa agora, já te conto. Primeiro, tenho um presente para a senhora. – disse Rogério.

– Você sabe que eu disse para não gastar seu dinheiro com isso, né? Só o almoço já estava ótimo, não ligo para essas datas, você sabe. – retrucou Dona Maria.

Rogério tira o gatinho do carro e mostra à sua mãe:

– Feliz dia das mães!

Dona Maria, mãe de Rogério, olha pro gatinho e seus olhos brilham e lacrimejam de emoção.

– Que gracinha, meu filho. Muito obrigada, não precisava se incomodar. Mas porque ele também está todo sujo e molhado? O que aconteceu?

Rogério então contou a sua mãe o que havia acontecido minutos antes. Ela ficou emocionada, começou a chorar e deu um abraço em seu filho.

– Como você foi corajoso, filho. Tudo para salvar uma vida. Que maravilhoso isso. Que orgulho do homem que você se tornou!

– Eu apenas fiz o que achei que fosse certo.

Ele olha no relógio:

– Eita! São mais de uma hora já. Não vai dar tempo de chegar ao restaurante e ter a mesa disponível. Sinto muito, mãe! Mas, o que você acha de pedirmos alguma coisa por aqui mesmo?

– Ótima ideia, filho. Vamos cuidar do Hero agora.

– Hero? – perguntou ele.

– Ssim. Porque quero sempre lembrar do quão herói você foi hoje.

Rogério abriu um sorriso meio torto. Esse estava sendo o melhor feriado de todos.

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