Contos

Conto: Acredite nas suas vontades!

Ao acordar, olhou no relógio e ainda eram cinco horas da manhã, fechou os olhos, mas não conseguiu pegar no sono de novo. Levantou e caminhou até a varanda, naquela escuridão de madrugada, afinal, o sol ainda não tinha nascido. Já que não conseguiria dormir novamente, pegou uma cerveja no frigobar da varanda, se sentou no sofá que tinha ali do lado oposto à churrasqueira e ficou observando o mar que permanecia com ondas tranquilas e as folhas das árvores batendo de leve. Estava uma noite bem agradável.

Se pegou lembrando do tempo em que era jogador de futebol. Em seus 22 anos de carreira, passou por diversos times, jogando também em times grandes como São Paulo e Palmeiras. Nunca se arrependeu de não ter feito faculdade e ter se dedicado cem por cento em ser jogador. Afinal, com 18 anos já estava ganhando muito dinheiro por mérito próprio.

Todos sempre achavam que vida de jogador é tranquila, cheia de festa toda semana, de gente famosa como amigos e de diversão o tempo todo e, por isso o julgavam tanto. O que ninguém sabia era de toda dificuldade que Carlos passou para chegar aonde estava naquele exato momento. Sua família jamais o apoiou, diziam que jogar bola era coisa de moleque e que ele nunca teria um futuro decente. Mesmo em sua própria casa, ele não se sentia nenhum pouco seguro, muito pelo contrário, se sentia um estranho.

Com 20 anos de idade, ainda morava com sua mãe, pois queria estar perto e ajudá-la sempre que precisasse, já que dinheiro não era problema para ele. Sempre foi um rapaz muito bom, não negava ajuda à ela, mesmo ela nunca apoiando sua carreira. Quando estava para completar 21 anos, ele se deu conta de que ela se fazia de vítima todas as vezes e o impedia de fazer várias coisas, só para tirar dinheiro dele. Não aguentando mais aquele relacionamento tóxico de mãe, resolveu comprar um apartamento para morar sozinho e se afastou dela para o bem dos dois, já que ele precisava de concentração para os jogos e ela de ajuda psicológica.

Foi a melhor coisa que fez, conseguia se concentrar tanto nos treinos como nos jogos e seu desempenho melhorou muito, se tornando um dos melhores jogadores de todos os tempos. Depois de uns anos, ele conheceu Laura, uma moça que vinha de família rica, dinheiro não era problema para ela. Esse era um dos maiores medos da vida de Carlos após ficar conhecido, que as pessoas só se aproximassem por conta de seu dinheiro, por isso nunca teve amigos tão próximos, sempre preferiu estar mais sozinho e se concentrar nele mesmo. Mas sentiu que com Laura fosse diferente e se deixou levar por essa paixão.

Nunca se sentiu tão feliz e grato, por ter conhecido alguém que acalmasse seu coração. Ele só se deu conta de tudo isso, quando percebeu que o sol já tinha nascido e estava lindo refletindo naquele mar enorme à sua frente. Quando olhou para o lado, através do vidro da porta, viu uma pessoinha correndo em sua direção, gritando:

– papai, papai. – era sua filha de pijama, abraçada no ursinho preferido dela.

– o que foi, meu amor?

– estou com fome.

Ele olhou no relógio, já eram seis e meia da manhã.

– vou preparar o café da manhã. Mas primeiro, cadê meu beijo de bom dia?

Ela o abraçou forte e lhe deu um beijo no rosto.

– te amo, papai! – e saiu correndo para brincar.

Carlos então abriu um sorriso e agradeceu por conseguir a vida que sempre quis, apesar de todas as dificuldades e pessoas querendo atrapalhar. Ele foi até a cozinha preparar o café e logo em seguida, desceu para comprar água de coco que sua mulher tanto gostava. Adorava agradá-la e vê-la sorrindo logo cedo. Tinha encontrado seu porto seguro!

5 comentários em “Conto: Acredite nas suas vontades!

  1. Ola, meu nome é Rodrigo Serra, e faço parte de uma iniciativa de criar uma rede de blogs que ajudem a movimentar outros. E tenho um trabalho coletivo tb, chamado “A queda de Notre Damme” a qual participamos eu e uma escritora, mas queríamos agregar mais pessoas.
    Seguem os meus contatos:
    Instagram : @rodrigovieiraserra
    Tweeter : @rodrigo_serra

    Curtido por 1 pessoa

      1. Bom, eu gostaria de criar um blog coletivo chamado “A queda de Notre Dame” para fazer intervenções de arte e palavras no meio dos posts e se criar uma rede de blogs que seguem, geram conteúdo próprio e os mesmos ajudem a divulgá-los.

        Curtido por 1 pessoa

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