Contos

Eu tentei!

Hoje eu acordei e te vi ali do meu lado, tão linda, tão leve, parecia uma princesa dormindo ali do outro lado da cama. Não queria te incomodar, mas infelizmente, já são 6h30, está na hora de levantar, amor! É engraçado como de princesa, você se torna a pessoa de mais mau humor quando está acordando. Sinto muito por te acordar, mas não tenho culpa se precisamos ir trabalhar.

Enquanto você está acordando, deixei o café ali do lado da cama, vê se não deixa esfriar, viu. Vou aproveitar e tomar um banho. Assim que saio do banho, vejo que você ainda não se levantou. Vamos, amor, levante. Não podemos perder o ônibus, ele passa daqui 40 minutos. Você se levanta quase se rastejando, coloca a primeira roupa que vê ali no armário, prende o cabelo num rabo de cavalo e nem passa maquiagem. Mas tudo bem, você é linda de qualquer jeito.

A gente sai para pegar o ônibus. Você mal troca uma palavra comigo até o ponto, mas tudo bem, deve estar acordando ainda, né? Eu te entendo, daqui a pouco você vai estar melhor. Ufa! O ônibus chegou, ele demora tanto, né? Nossa, como está lotado. Encosta aqui no canto pra gente não atrapalhar o caminho.

Você está de cara emburrada, as pessoas vão achar que fui eu que fiz alguma coisa. Olha aqui pra mim, dá pelo menos um sorrisinho. Nada. O que foi que eu te fiz? Desculpa se tive que te acordar, mas você quer perder o horário e faltar ao trabalho de novo? Já aconteceu isso essa semana, você vai acabar perdendo esse emprego. Estou te ajudando, poxa! Você acha um banco vazio e vai até lá sentar, ainda sem trocar uma única palavra comigo, nem pra falar “olha um banco, vou sentar”. Não, simplesmente foi, como se eu fosse um completo estranho ao seu lado.

Mas tudo bem, você deve estar tendo uma semana difícil, né? Tranquilo, mesmo que você não perceba, estou aqui do seu lado. Vou até onde você está sentada e fico ali do seu lado, em pé. Olho ao redor do ônibus e as pessoas não parecem estar emburradas como você. Tem a menina que está sempre lendo, sentada ali atrás. Tem também a senhora que está sempre carregando sacolas enormes de sabe-se lá o que. Ali do outro lado, o mesmo menino de sempre, ouvindo sua música e dormindo até chegar o ponto dele. Engraçado como são sempre as mesmas pessoas nesse horário, né?

Você vai continuar brava sem motivo nenhum? Nosso ponto está chegando, quer que eu carregue sua bolsa? Te dou espaço para você levantar. Você levanta, o busão para, você desce e sai caminhando, ainda sem nem perceber que estou ali. Não consigo entender o porque disso tudo. Poxa, você parecia tão calma enquanto estava dormindo, o que aconteceu? Agora eu que sou o vilão disso tudo? Não entendo!

Bom, apesar da gente trabalhar próximo, eu vou para o outro lado da rua. Você vai pelo menos me desejar um bom dia? Vai me dar um beijo antes da gente se separar? Ei, volte aqui. Te seguro pelo braço, você apenas olha pra mim desinteressada. Te solto, você vira a cara e sai andando. Bom, tenha um ótimo dia, minha princesa. Vai ficar tudo bem! Espero te ver logo, em casa.

Assim que viro a esquina, tem um cara armado. Ele está com uma faca na mão, sem nem ao menos eu perceber, já era tarde demais. Ele enfiou a faca bem no meu peito, tudo isso só pra pegar o meu celular e minha carteira. Não deu, não consegui resistir ao impacto. O corte foi muito profundo. Bom, eu tentei meu amor. Fiz de tudo para que você tivesse uma manhã incrível, mas vai ficar tudo bem. Apenas torço para que você seja muito feliz, minha princesa!

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