Contos

As misteriosas palmas

Era feriado e tínhamos ido à praia para poder descansar um pouco de todo o estresse da cidade grande. Apesar de ser inverno, não estava frio, tinha um sol para amenizar aquele ventinho gelado que batia nas pernas. Resolvemos então tomar uma cerveja para relaxar e observar o mar. Caminhamos até o quiosque e sentamos em uma mesa que ficava de lado para a areia, mas ainda sim dava para ver o mar. O quiosque não estava lotado, mas tinha bastante gente, afinal, era feriado prolongado e nesses feriados, praticamente todo mundo resolve descer para a praia, esteja sol ou chovendo.
Demorou uns minutinhos e conseguimos pedir nossas cervejas. Veio dois copos e antes de beber, brindamos como sempre fazemos. Conversa vai, conversa vem, comecei a ouvir palmas vindo ali da areia e parei para ver o que estava acontecendo. Por um momento, achei que tinha alguém dançando ou fazendo uma apresentação e as pessoas estavam animadas e tals. Mas não, cada vez mais pessoas entravam na onda e se juntavam para bater as palmas.
Ali na areia estava uma mulher abraçada com uma menina pequena, devia ter uns 6 anos. Um homem em pé ao lado delas, batendo palmas e ao redor várias pessoas também batendo palmas. Não tinha ninguém no meio dançando ou se apresentando, como eu havia imaginado, apenas as palmas. Foi então que alguém da mesa ao lado da nossa comentou que essas palmas significavam “criança perdida“. Na hora que ouvi isso e minha mente raciocinou o que estava acontecendo, meu coração se encheu de emoção, por ter uma pequena esperança de que ainda tem pessoas boas nesse mundo tão cruel. E confesso que fiquei observando aquela cena encantada. Até que, depois de alguns minutos, apareceu uma mulher à procura da criança que estava perdida. Não consegui ouvir o que ela falava para o homem e a mulher que estavam segurando a criança, mas acredito que ela estava agradecendo-os por isso.
Essa cena ficou na minha cabeça e comecei a pensar “tem tanta gente ruim por aí, que poderia ter feito coisas horríveis com essa criança. Como vemos em notícias e jornais todos os dias“. Mas felizmente, ela foi encontrada por pessoas boas e que fizeram o possível para ajudar e garantir que ela estivesse bem.
Há tanta gente ruim, que ficamos com medo de andar pelas ruas. Que ficamos com medo de deixar nossos filhos brincarem na praia se não estivermos sempre de olho. Que ficamos apavorados de andar à noite para voltar do trabalho. E nos esquecemos de que também há pessoas boas e honestas ao nosso redor, que não querem o nosso mal.

Que mundo é esse que estamos sempre com medo de viver? 

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