Contos

Aquele perfume

Hoje acordei com uma angústia, uma dor no peito que parecia que ia me sufocar junto com uma ânsia. Parecia que a qualquer momento iria colocar todos meus órgãos para fora e não iria mais respirar. Foi horrível. Percebendo que não iria passar tão cedo, antes de levantar eu orei. Pedi a Deus que ficasse tudo bem, não só com relação ao meu estado, mas também com tudo que vem acontecendo. Apenas pedi para que tirasse essa dor do meu peito, porque eu realmente não sabia mais o que fazer.
Levantei, com um pouco de dificuldade, afinal, não me sentia cem por cento bem. Fui ao banheiro, quando sai e fui em direção ao armário para pegar minha roupa, senti um cheiro forte de perfume. Era um perfume conhecido, mas de onde será que estaria vindo um cheiro tão forte às oito horas da manhã de uma terça-feira? Afinal, eu estava sozinha ali. Voltei para o banheiro, seguindo o perfume, e foi ficando cada vez mais forte. E ai me lembrei da onde conhecia esse perfume que era tão gostoso. Na hora que me lembrei, veio a imagem do meu avô, e não sei nem como explicar, mas a sensação de sufoco passou. Foi como se eu sentisse a presença dele ali comigo e na hora veio uma sensação de paz.
Depois de uns minutos, o perfume ficou apenas no meu quarto, já não estava mais em nenhum outro cômodo. Acredito que ele estivesse andando e que ficou ali do meu lado enquanto me arrumava para o trabalho, para me deixar mais segura. Era o que eu precisava. Era o que eu tinha pedido a Deus, conforto no meu coração. E não sei como pode isso, mas meu avô estava lá comigo, ele me trouxe essa paz. É incrível.
Antes de me arrumar, peguei o porta retrato com a foto dele que fica na minha cômoda e pedi ajuda, não sei se ele estava me ouvindo ou não, mas pedi força para aguentar tudo. E ao mesmo tempo, agradeci por ele estar ali, mesmo que não fisicamente, mas espiritualmente. Abracei a foto, coloquei de volta na cômoda e fui me arrumar. O perfume não saia de dentro do meu quarto.
Quando terminei, já estava na hora de sair e pegar o ônibus. Peguei de novo a foto, olhei bem para ele e disse “Obrigada, vô. Eu sinto muita sua falta. Te amo!”, dei um beijo na foto e com um sorriso meio torto falei “Até mais tarde!”. A medida que ia saindo do quarto, o perfume foi diminuindo, mas felizmente, o aperto no peito e a ânsia, foram embora. Graças a Ele, meu anjo!

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4 comentários em “Aquele perfume”

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